Da vida… (num dia bom)

Falem-me de estre­las e de bri­sas marinhas.

Falem-me de árvo­res que dan­çam ao vento.

Falem-me de fé, cren­ças e outras mezinhas.

Mas não me digam que é daí que vos vem o alento.

Falem-me de pala­vras doces em poesia,

De hip­no­ti­zan­tes rimas de ritmo solto.

De can­ções ouvi­das por toda a parte.

Mas não me digam que é por isso que a vida é arte.

Falem-me do cheiro do papel de um livro novo.

Da luz que nos aca­ri­cia na madrugada.

O calor dos cor­pos que se entre­la­çam em uníssono.

Mas não me digam que é isto que vos agrada.

Falem-me das abe­lhas anun­ci­ando a primavera,

Do sor­riso das cri­an­ças brin­cando num jardim.

Da nos­tal­gia dos sons da adolescência.

Mas não me venham dizer a mim… que é essa a vossa essência.

Falem-me de tudo o que vos faz acor­dar mais um dia,

Seja de amo­res ou pro­mes­sas de vida.

Falem-me de tudo o que vos faz sorrir,

Mas não se esque­çam de que a vida, essa…

…não deve ser sonhada, deve ser vivida.


Queria escrever…

Que­ria escre­ver… um romance. Uma his­tó­ria de amor como nin­guém alguma vez lera. A his­tó­ria de amor que dei­ta­ria por terra todas as his­tó­rias de amor. O romance dos roman­ces.
Que­ria escre­ver o amor de tal forma que o “E tudo o vento levou” seria nada mais do que uma his­to­ri­eta de pas­quim e “Casa­blanca” nunca


Ele há dias assim…

Ele há dias em que tudo o que nos rodeia não faz sen­tido e só as lágri­mas que tei­mam em rolar face abaixo nos dei­xam um pouco mais ali­vi­a­dos.
Ele há dias em que a sen­sa­ção de explo­dir é con­tra­ri­ada pela neces­si­dade de impe­dir que as cri­an­ças se aper­ce­bam que o pai afi­nal é humano e


Deixei para trás…

Dei­xei para trás o peso do corpo, amorfo, na des­pe­dida da carne.
Os meus pas­sos, agora leves, elevam-se à altura pos­sí­vel, dado o peso do karma.
Sou mera ima­gem, névoa da minha som­bra.
E, no entanto, sou assim. Eu mesmo. Agora com­pleto.
As peque­nas ima­gens que se for­mam são foto­gra­mas da memó­ria.
Luzes e som­bras a emu­lar os sons de outrora.
Quem fui


Da vida que a vida é feita.

À excep­ção da pró­pria vida
A vida é feita de excep­ções.
Por mui­tas vezes não ser vivida
Naque­las que seriam as ade­qua­das con­di­ções.
E mesmo assim sabe­mos hoje
Que nem de ante­mão sabe­mos
Quando a vida sim­ples­mente nos foge
É quando pela vida teme­mos.
Por­que a vida de que a vida é feita
Só nos traz com­pli­ca­ções?
Ou sere­mos nós em des­feita
A viver as nos­sas ilu­sões?
Sem sen­tido para a vida
Não


Mais um aniversário…

Desta vez o pri­meiro. Ontem completaram-se 365 dias desde que fui ope­rado e renasci, fruto das mãos e cui­da­dos de um grupo de cirur­giões (Dr. Bakero, um espe­cial agra­de­ci­mento) e toda a equipa do Hos­pi­tal Stª Marta, em Lis­boa.
Tenho tam­bém que agra­de­cer ao médico que teve a feliz ideia de pedir a aná­lise de cul­tu­ras


Não desistirei de ti

As cin­zas cobrem o manto da sau­dade com um sopro de asfi­xia.
Não desis­ti­rei de ti, meu amor.
Mesmo que sig­ni­fi­que perder-me no fogo…
As lágri­mas empe­der­ni­das no sal das faces ras­gam tri­lhos na sau­dade.
Não desi­ti­rei de ti, meu amor.
Mesmo que sig­ni­fi­que afogar-me num mar de solu­ços…
As pala­vras ecoam per­di­das no vento das memó­rias.
Não desis­ti­rei de ti, meu amor.
Mesmo que sig­ni­fi­que ficar


Desabafo Literário

Gos­ta­ria de ser “nativo” em todos os idi­o­mas e cul­tu­ras do mundo… Será pedir muito?
Eu explico. Pre­sen­te­mente estou a ler “2666” de Roberto Bolaño*, con­si­de­rado o romance da década, etc. Estou muito no iní­cio mas gos­tar desde já. Escrita densa, no bom sen­tido. E uma das coi­sas que posso avan­çar, sem dar a conhe­cer todo o


Faz hoje 6 meses…

Quando a imen­si­dade das som­bras
Se acer­car de mim pro­mete que dirás
Que fui com as aves mati­nais
Per­noi­tar à boca das marés em busca
Do sulco da lua pelas noi­tes den­tro.
Diz as coi­sas mais banais.
O que qui­se­res. Diz.
Nunca te fal­tam as pala­vras
Para enga­nar as som­bras
In– ‘O silên­cio: lugar habi­tado’ — Graça Pires
PS — Obri­gado Gininha.


Neva em Elvas…

Hoje, dia 10 de Janeiro de 2010, com os meus irmãos Pedro e Sara e o meu padrasto, fizemo-nos á estrada de manhã rumo a Elvas. Objec­tivo? Tra­tar de pape­la­das refe­ren­tes a suces­sões e heran­ças da minha (nossa) mãe. Não é um bom motivo para ir a lado nenhum, muito menos a Elvas…
A cami­nho sou­be­mos da