Gostaria de ser “nativo” em todos os idiomas e culturas do mundo… Será pedir muito?
Eu explico. Presentemente estou a ler “2666” de Roberto Bolaño*, considerado o romance da década, etc. Estou muito no início mas gostar desde já. Escrita densa, no bom sentido. E uma das coisas que posso avançar, sem dar a conhecer todo o enredo, é que o romance gira à volta de três personagens, cada um de sua nacionalidade, que estudam, de uma forma ou outra, um autor alemão. Isso pôs-me a pensar que, não sendo da mesma cultura e não dominando totalmente o idioma, nunca poderemos ter a certeza de conseguir captar e apreender todas as nuances de um texto, seja ele qual for. Dos jogos de palavras, fonéticos ou de sentido, às referências culturais e políticas, haverá sempre qualquer coisa que nos escapará e, por isso mesmo, nunca conseguiremos saborear na totalidade um romance.
E, como diria Shakespear, eis a questão. Será pedir muito?
* Biografia (inglês) — Wikipedia
Artigo do Ípsilon (Público) — A segunda vida de Roberto Bolaño
Artigo do Ípsilon (Público) — Bolaño em Português
Quando a imensidade das sombras
Se acercar de mim promete que dirás
Que fui com as aves matinais
Pernoitar à boca das marés em busca
Do sulco da lua pelas noites dentro.
Diz as coisas mais banais.
O que quiseres. Diz.
Nunca te faltam as palavras
Para enganar as sombras
In– ‘O silêncio: lugar habitado’ — Graça Pires
PS — Obrigado Gininha.
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Hoje, dia 10 de Janeiro de 2010, com os meus irmãos Pedro e Sara e o meu padrasto, fizemo-nos á estrada de manhã rumo a Elvas. Objectivo? Tratar de papeladas referentes a sucessões e heranças da minha (nossa) mãe. Não é um bom motivo para ir a lado nenhum, muito menos a Elvas…
A caminho soubemos da …
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Apesar dos inúmeros conceitos relacionados com singularidade, seja eles científico, matemático ou puramente filosófico, seja um tema esgotado nas teorias da sci-fi na televisão, a questão mantém-se.
Uma singularidade é única. Algo que é invulgarmente uno, inequivocamente indivisível. No entanto, na ciência, filosofia, esoterismo ou seja lá o que for, sempre fomos habituados a que tudo …
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Os braços pesam, as mãos soltas como folhas no Outono. Tudo em mim parece querer adormecer, hibernando e aguardando melhores dias.
A voz arrasta-se imitando o travo de um vinho meio tosco e a pedir tacho, em vez de copo.
Se não o faço, é porque sei que há quem dependa de mim. Mas assumo o cansaço como sendo …
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Novo ano. Primeiro texto. Nada… Não sai nada…
Será por sentir que ainda tenho que viver o que o ano me aguarda antes de deitar cá para fora o que me vai na alma? Ou por sentir que já disse tudo o que tinha a dizer?
A mudez é efémera se a alma grita por toda a eternidade.
O céu …
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Natal de 2009… Já passou. O stress, o lixo, as prendas compradas à última hora. O trânsito, o caos nos transportes. A publicidade que nos invade todos os poros. O barulho das crianças excitadas. O papel de embrulho espalhado pelo chão da sala. As presenças, as ausências.
O primeiro Natal sem apoios, sem rede, sem refúgios …
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Não pensem que sabem o que é a saudade.
Não pensem que sentem a falta de um ente querido até perder de facto.
Perder o chão que nos fugiu debaixo dos pés. Perder a base, o refúgio.
Perder o abraço que nos protegia do frio. Que nos protegia do mundo.
Perder a voz que nos oferecia tranquilidade. Nos trazia de volta …
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Cansado de tudo, cansado dos nadas.
Cansado de todos os pequenos instantes que fazem tudo parecer coisa nenhuma.
Este cansaço que me persegue não é mais do que as certezas somadas às dúvidas. Infelizmente não se anulam, complementam-se numa cruel e odiosa bola de neve de defeitos, feitios, falhas de carácter e personalidade completamente lixada pelas asneiras acumuladas …
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Passam-se as madrugadas. Por vezes durmo. Outras, nem por isso.
A dor sobrepõe-se ao cansaço. Comparado com isto, os meses que passei hospitalizado foram um passeio no parque.
E depois vêm as memórias, as dúvidas, as lágrimas.
É muita coisa junta. Doença, morte, doença. Problemas vários. Profissionais, pessoais, financeiros. É muita coisa junta.
E o que fica? As madrugadas. Por vezes …
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