Gostava mas…

Gos­tava de poder dizer que vivi a minha vida a 100%. Que fiz tudo o que podia e que­ria. Que disse, gri­tei, falei, calei, can­tei tudo o que que­ria e podia. Que amei, odiei, fiquei de ras­tos e sal­tei de ale­gria. Cho­rei e fiquei mudo.

Gos­tava de poder dizer tudo isso mas seria mentira.

Quero ainda fazer tanta coisa. Por isso tudo e muito mais ainda, não espe­rem que me cale, que me esconda. Que diga o que for espe­rado só por­que o é. Não serei eu se assim não fosse. Con­cluíndo, se me que­rem, querem-me como sou, não como pode­ria ser.

A vida é um cami­nho. Só depende de nós dar cada passo e deci­dir por que lado segui­mos. E eu, depois de 37 anos, cansei-me de seguir o que me foi apre­sen­tado como a única alternativa.

Este ano foi (e está a ser) um ponto de vira­gem. Sofri, fiz sofrer. Ainda vou sofrer muito mais e farei sofrer quem me ama. Mas não me pre­o­cupo com isso por­que sei que é ine­vi­tá­vel. Não sou perfeito.

Como dizem os budis­tas, é tudo uma ques­tão de karma. E o meu, na altura devida, se reve­lará. Seja com os que me rodeiam no dia-a-dia, seja com aque­les que se cru­zam comigo pon­tu­al­mente. A forma como serei jul­gado será pela auten­ti­ci­dade e não pela capa velada de acções e ver­ná­cu­los poli­tica e soci­al­mente cor­rec­tos. Será por­que sou quem sou.

E se assim não for, paci­ên­cia. A sério. Gos­tava que assim fosse, mas…

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